Contexto e Pretexto

Contexto (latim contextus, -us, reunião, conjunto, sucessão, contexto) s. m.

1. Conjunto de circunstâncias à volta de um acontecimento ou de uma situação. = CONJUNTURA, ENQUADRAMENTO

2. Aquilo que envolve algo ou alguém (ex.: contexto social). = AMBIENTE

Pretexto (latim praetextum, -i, desculpa, ornamento) s. m.

Razão aparente que se alega para encobrir o verdadeiro motivo por que se fez ou deixou de fazer alguma coisa.

Dicionário Priberam da Língua Portuguesa

É interessante como utilizo o “contexto” para livrar meus jovens do “pretexto”.

Muitos vêm de realidades sociais desfavoráveis e chegam desesperançosos, sem perspectivas e, pior, sem muita credibilidade nos assuntos que lhes são expostos durante as aulas — pensam serem assuntos muito distantes de suas realidades como se fossem incapazes de transformá-la.

É óbvio que para “um faz tudo” em um supermercado ou pequeno escritório, uma aula que consiste em criação de organogramas, fluxogramas, análise SWOT/FOFA, plano de desenvolvimento pessoal e profissional etc., deixa, no mínimo, atônito. Entretanto é aqui que o pretexto e o contexto se digladiam e, pasmem: se complementam.

Ora, o pretexto é: “balela, onde estou, nesse contexto, nunca usarei nada disso”… Cabe a mim, no papel de educador de desenvolvimento social, apresentar-lhes novas e possíveis realidades, novo contexto. Ilustrar através de cases de empreendedorismo pessoal, mudanças de atitudes e postura diante das situações, bem como, e na maioria das vezes, com experiências pessoais, suscitar a resiliência predisposta em cada um, desfazer os modelos mentais preconcebidos — maiores dificultadores do crescimento pessoal e profissional — e mostrar a esses jovens que a mudança é crível.

Essa ação torna-se cabível através da humanização da educação e sensibilidade do educador: quando se adquire confiabilidade percebemos que, juntos, nos tornamos equipe e somos capazes de realizar o extraordinário. O efeito dessa confiança apoia-nos como seres humanos e a quebra desses paradigmas se refletirão ao longo de nossa jornada.

Nada é mais gratificante a um profissional, seja ele educador ou não, do que ver o resultado do seu trabalho alcançado. No meu caso, especificamente, estou deixando uma turma após 60 horas de “dades”: complexidade, cumplicidade, diversidade e adversidades, também. Tratando a cada um como deveriam ser tratados, com exclusividade. Exercitando a docilidade mútua. Elaborando um plano de desenvolvimento pessoal e profissional baseado na cidadania, ética e comprometimento com os próprios ideais. Criando, principalmente, um novo modelo mental, um novo contexto, uma realidade capaz de ser alterada a partir da vontade transformadora preexistente.

Fácil? Claro que não! Simplesmente humano.

Aprendizagem – turma 6 – Nove de Julho, obrigado por tornarem esse texto possível! Tenho certeza que aprenderam que o “contexto” pode ser mudado e, sendo assim, não é mais “pretexto”.

Beijos no coração de cada um de vocês!

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