Tendências do mercado de trabalho para jovens

As dificuldades enfrentadas pelos jovens para conquistar o primeiro emprego são um desafio para os programas de formação e inserção profissional. As complexidades envolvidas parecem estar sempre um passo adiante da solução.
Nesse contexto, o Portal Busca Jovem, iniciativa do Grupo de Afinidade em Juventude do GIFE, foi criado para apoiar a colocação de jovens no mercado, aproximando empregadores e organizações formadoras que trabalham com esse público, em busca do melhor aproveitamento das oportunidades de inserção.
Além da inserção, os resultados dessa aproximação produziram um conjunto de dados objetivos, com indicações sobre o perfil de vagas atualmente oferecidas aos jovens e os requisitos necessários para ocupá-las, entre outros aspectos.

Leitura do mercado

De setembro a dezembro de 2008, o Portal publicou cerca de 1600 vagas de emprego. A informação mais relevante é que 99% das vagas postadas por empresas e consultorias de Recursos Humanos são voltadas para jovens com Ensino Médio completo e 18 de anos ou mais. As contratações abaixo desta idade relacionavam-se quase que exclusivamente ao cumprimento da cota de aprendizes.
Cerca de 98% das vagas anunciadas estão concentradas nas áreas de serviços, telemarketing e atendimento comercial. Muitas oportunidades são sazonais, explicando assim a oferta de vagas temporárias, que representam também a primeira porta de entrada para muitos jovens no mundo do trabalho.
A leitura do comportamento e expectativas do mercado, especialmente das áreas com maior potencial de emprego, podem oferecer elementos importantes à formulação de currículos e ao direcionamento de recursos para a formação de jovens. Um dos aspectos que merecem ser destacados desse conjunto de dados é que ter completado o Ensino Médio e atingido a maioridade já não são mais diferenciais do jovem trabalhador, mas ponto de partida para a procura de um posto de trabalho.
Os investidores sociais privados e organizações sociais podem se valer dessas pistas para novas estratégias de inserção, que levem em conta recortes dentro das faixas etárias de 15 a 18 anos, 18 a 24 anos e 24 a 29 anos, ou ainda, modalidades de formação na condição de aprendizes, em alinhamento com políticas públicas. Tal focalização pode ser usada como vantagem em tempos de maior escassez de recursos privados.
Prêmio da educação
Alguns estudos recentes vêm confirmar que a educação básica deve ser valorizada como a principal garantia de entrada em uma trajetória profissional qualificada.
A pesquisa “Você no Mercado de Trabalho”, lançada em 2008 pela Fundação Getúlio Vargas, com apoio do Instituto Votorantim, mostra que cada ano de estudo que o brasileiro acumula em seu currículo gera um salto médio em seu salário de 15,07%. Movimento semelhante é observado nas chances de ocupação que, seguindo a mesma lógica, aumentam em média 3,38%. O prêmio salarial por anos de estudo (valor em reais acrescido ao salário em decorrência do nível de escolaridade) é sempre crescente e praticamente dobra a cada conclusão de nível educacional.
A pesquisa mostra que, de 1992 a 2006, houve uma diminuição da atividade no mercado de trabalho do grupo de 15 a 21 anos e um aumento no grupo de 22 a 29 anos. Para o professor Marcelo Neri, coordenador da pesquisa, essas mudanças podem ser consideradas avanços: “O lugar do jovem de 15 a 21 anos é a escola”, afirma ele. Os dados apontam também que, quanto mais precoce for a inserção do jovem, maior é o risco do sub-emprego, o que dificultará depois a sua ascensão profissional.
A pesquisa “Jovens e Trabalho no Brasil”, lançada em 2008 e desenvolvida em parceria pela Ação Educativa e o Instituto ibi com apoio técnico do Dieese, afirma que “a população mais nova, com idade entre 14 e 17 anos, é a que se mostra mais sujeita às situações precárias de trabalho, visto que é nesta faixa etária que se verifica a maior incidência daqueles que se declaram como trabalhadores (empregados ou trabalhadores domésticos) sem carteira assinada e trabalhadores no autoconsumo ou autoconstrução e não-remunerados.”
Outro aspecto importante é que as trajetórias educacionais interrompidas comprometem a empregabilidade dos jovens. Segundo dados da PNAD 2007, pessoas com 9 ou 10 anos de estudo (Ensino Médio incompleto) ganham menos e têm menos chance de ocupação que aquelas com 8 anos de estudo (Ensino Fundamental completo). Por outro lado, as chances de um jovem que concluiu um curso de pós-graduação estar empregado são 2 vezes maiores que as de um jovem que tenha terminado a universidade, 4 vezes frente aos que concluíram o Ensino Médio e 6 vezes frente aos que concluíram o Ensino Fundamental.
De acordo com o professor Marcelo Neri, esses dados mostram que, principalmente os jovens, devem investir em educação contínua: “para alcançar um trecho de altos prêmios de educação, elas precisam percorrer toda a trajetória". Para ele, a Educação Básica promove acumulação de capital humano geral que só se deprecia quando o indivíduo morre. Já a experiência profissional e educacional em segmentos específicos é perdida ,em parte, quando o indivíduo muda de posto de trabalho ou carreira profissional.
Escutando os empregadores
Cristina Simões, diretora de Desenvolvimento e Qualidade da Id Consulting, consultoria que anuncia uma grande quantidade de vagas no Busca Jovem, afirma que o mercado entende que quem ainda está cursando o Ensino Médio pode não estar pronto para assumir uma posição profissional. “Esse tempo de estudos, com a dedicação necessária, é importante, pois o mercado exige certas habilidades que requerem uma base para serem desenvolvidas, sem a qual o jovem não vai adquirir outras competências. Para ingressar num mercado de trabalho competitivo, que exige resultados, ele precisa desse amadurecimento, que vai lhe proporcionar mais chances de crescimento e de se sustentar dentro das estruturas empresariais”, destaca.
Em entrevista para o Portal, o presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), Ralph Arcanjo Chelotti, afirmou que as empresas vivem em um mundo cada vez mais competitivo, no qual a pressão por resultados é sempre crescente e dramática. “Por essa razão”, diz ele, “muitas esperam que até mesmo os mais jovens apresentem qualificações mínimas. Mas a verdade é que a maioria não tem possibilidade de pagar cursos e dependem de programas públicos de inclusão. Sabemos de todas essas dificuldades, mas se pudesse dar um conselho ao jovem que busca emprego é que ele se prepare ao máximo, buscando oportunidades de formação em centros comunitários, programas de governo, enfim, onde for possível obter alguma preparação. Para os jovens que estão no Ensino Médio, meu conselho é o mesmo que eles ouvem de seus professores: aprendam, melhorem os padrões de leitura, escrita e informação, pois isso vai ser decisivo para ter um emprego no futuro.”
“O jovem brasileiro sofre com o círculo vicioso que o condena a uma situação de baixa escolaridade e, portanto, baixa empregabilidade”, prossegue o presidente da ABRH. “Romper esse ciclo depende, muito também do próprio jovem, que precisa investir tempo em sua qualificação. Uma porta de entrada que pode ser interessante é a capacitação de voluntariado, ou seja, ao atuar como voluntário o jovem vai adquirindo a capacitação que o qualificará para um emprego satisfatório.”
Embora a capacitação técnica faça diferença, as empresas que postam vagas no Portal Busca Jovem têm exigido dos jovens habilidades básicas com as quais possam se sair bem no processo de seleção e no ambiente de trabalho: domínio da língua escrita e falada, raciocínio lógico, pensamento crítico, postura adequada, disponibilidade para trabalho em equipe etc. Para reforçar o desenvolvimento desse perfil, o Projeto Conexão, parceiro do Busca Jovem, oferece gratuitamente aos jovens encaminhados pelas Ongs formadoras a aplicação de provas de conhecimento, testes de habilidades pessoais e palestras de curta duração, trabalhando no aprimoramento de suas competências.
Sobre o projeto
O Portal Busca Jovem foi lançado em agosto de 2008. É o resultado de uma construção conjunta de uma rede de patrocinadores integrantes do GAJ – Grupo de Afinidade em Juventude do GIFE, com expertises diversas e uma forte capacidade de articulação: Fundação Avina, Basf, Fundação Bunge, Citi, Instituto Hedging-Griffo, Instituto ibi, Fundação Iochpe, Instituto Social Maria Telles – ISMART, Fundação Itaú Social, Instituto Unibanco e Instituto Votorantim. O Portal conta também com apoio das organizações Atletas pela Cidadania e Projeto Conexão.
A receptividade do projeto tem sido positiva entre os parceiros formadores, que demandam visibilidade, e parceiros empregadores, que encontravam dificuldade para preencher vagas voltadas para esse público. Atualmente, o Portal conta com 46 organizações cadastradas, indicadas pelos patrocinadores e apoiadores do projeto.
O Portal é também um local de referência sobre trabalho e juventude, com matérias exclusivas sobre tendências dos diversos setores que oferecem oportunidades profissionais para os jovens, além de uma biblioteca virtual com dados sobre a Lei do Aprendiz, nova Lei do Estágio, pesquisas e documentos de referência.
Fonte: Olhar Cidadão – Estratégias para o Desenvolvimento Humano.

(Envolverde/Rede Gife)

encontrado em:http://www.peabirus.com.br/redes/form/post?topico_id=16143

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